quinta-feira, 27 de março de 2014

Meliponicultura - Good News

Reportagem sobre a meliponicultura no site good news - Abaixo 2 videos sobre o assunto.



Primeira reportagem: 


Segunda reportagem:
         
Fonte- You tube e Good news.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Bom para a tosse e bom para o clima.


Que o mel é bom para a tosse todos sabemos. E não só para a tosse: o mel de algumas abelhas nativas é bom para os olhos, para o sistema imunológico, para a circulação sanguínea, para a pele, para os cabelos e por aí vai uma longa lista de utilidades cosméticas e funcionais.

Para os top chefs da nova gastronomia brasileira, o mel das abelhas brasileiras sem ferrão também é bom para temperar carnes e como ingrediente tanto em pratos salgados refinados como em confeitaria. “E ainda estamos no início da descoberta das possibilidades culinárias deste ingrediente, o que para nós é uma oportunidade sensacional”, declarou José Barattinochef de cozinha do restaurante paulistanoEmiliano, ao participar do evento culinário Ver-o-Peso da Cozinha Paraense, emBelém (PA), em abril passado.
Barattino testou o mel produzido no município de Curuçá, no nordeste do Pará, por famílias capacitadas pelo Instituto Peabiru, uma organização não governamental sediada na capital paraense e dirigida por João Meirelles, com foco na valorização dadiversidade cultural e ambiental da Amazônia por meio do apoio a processos de transformação social. O programa existe desde 2007, com recursos da Petrobras Ambiental e inclui 350 famílias da região entre o Pará e o Amapá, no baixo rio Amazonas.
“Fazemos a capacitação de produtores para a criação de abelhas nativas somente com as espécies de cada região ou comunidade”, explica Richardson Frazão, do Peabiru. “Não incentivamos a introdução de espécies e/ou colônias para evitar problemas de dispersão de parasitas, vírus e outros organismos que podem causar problemas para a fauna local”.
Todas as espécies são do gênero Melipona. Em Curuçá, pescadores, coletores de mariscos e agricultores aprenderam a trabalhar com as espécies uruçu-cinzenta (Melipona fasciculata) e uruçu-amarela (M. flavolineata). Perto de Macapá, no Amapá, as comunidades quilombolas antes dedicadas somente à criação de búfalos e agricultura de subsistência agora criam outra espécie de uruçu-amarela (M. fulva), além de uruçú-alaranjada (M. paraensis) e tiúba-rosilha (M. compressipes). As duas últimas espécies também são a opção dos extrativistas de castanha e de açaí e pescadores dos municípios de Almeirim e Monte Alegre e dos indígenas do Oiapoque, que ainda trabalham com uma terceira espécie, chamada pinto-de-velho (M. laterallis).
Mel como alimento funcional e ingrediente cosmético ou culinário, tudo bem. Criação de abelhas nativas para aumentar a renda de pequenos produtores, ok também. Mas o que minúsculos insetos têm a ver com mudanças climáticas? Bem, em primeiro lugar, a conservação e a criação de abelhas nativas favorece a renovação da floresta, garantindo a reprodução das árvores que delas dependem para apolinização.
“Quando são manejadas pelas comunidades, as abelhas formam um verdadeiro cinturão de defesa da floresta, garantindo a produção de alimentos (frutos) e assegurando que determinada área de floresta se mantenha como ‘pasto’ para elas mesmas, as abelhas”, argumenta Frazão. Mais importante, a criação de abelhas incentiva as comunidades a manterem a floresta em pé.
Em outras palavras, as abelhas ajudam a evitar desmatamentos e, sobretudo,queimadas. Isso, somado à sua contribuição para a renovação das espécies florestais se traduz na fixação de carbono e, portanto, em uma contribuição para aestabilização do clima. Segundo os cálculos realizados pelo pessoal do Instituto Peabiru, cada quilo de mel produzido nas comunidades da floresta amazônica fixa 16 kg de carbono. “Nesse contexto, o ciclo abelhas, homem e florestas torna-se sustentávele completo”, arremata Richardson Frazão. E quanto mais abelhas e mais mel, melhor o serviço ambiental, poderíamos acrescentar sem pestanejar.
O gargalo, como sempre, é fazer chegar o mel da floresta aos centros consumidores, algo que, por enquanto, o Instituto Peabiru ajuda a resolver, mas em breve deve ficar a cargo dos produtores amazônidas para garantir igualmente a sustentabilidade financeira.
Então, quem aí quer adotar um melzinho de Melipona em sua dieta?
Liana John
Fotos: Instituto Peabiru

Estudo põe em xeque a criação de abelhas nas cidades.

Apicultura urbana ganha força nos EUA e na Europa como forma de reverter declínio nas populações do inseto. Mas segundo estudo, prática pode prejudicar abelhas

Vanessa Barbosa
Exame.com - 19/08/2013

ChristianGuthier/Crea

Nos últimos anos, a criação de abelhas no quintal de casa ou no telhado do prédio vem se popularizando em cidades dos Estados Unidos e da Europa, por ser vista como uma solução para reduzir o declínio das populações de insetos. Mas um novo estudo coloca na berlinda a prática de apicultura urbana.

A pesquisa, publicada no periódico científico The Biologist, da Sociedade de Biologia do Reino Unido, afirma que em vez de fornecer uma solução útil para recuperar as população de abelhas produtoras de mel, o aumento do número de colmeias nas cidades poderia estar fazendo mais mal do que bem a estes polinizadores tão importantes para o meio ambiente.

Os pesquisadores argumentam que as abelhas que vivem nas colmeias urbanas não conseguem encontrar flores suficientes para se alimentar localmente e, por isso, podem acabar doentes ou morrer de fome.

Além disso, o estudo adverte que os apicultores inexperientes podem contribuir para a propagação de determinadas doenças entre as abelhas. Diz ainda que se os moradores da cidade querem mesmo ajudar as abelhas, eles deveriam plantar as flores favoritas desses insetos.

SUMIÇO DAS PRODUTORAS DE MEL
Embora ainda sejam insetos comuns, as abelhas têm visto sua população diminuir significativamente ao longo do século passado. De acordo com uma pesquisa feita pela Associação de Apicultores britânicos, as perdas deste inverno na região foram as piores desde que os registros começaram, há seis anos. Segundo o centro, o número de colmeias totais da Inglaterra caiu de 300 mil para 135 mil nos últimos 60 anos.

Muitas causas para o declínio no número de abelhas têm sido sugeridas, incluindo fatores inusitados como sinais de telefones celulares. Mas a maioria dos cientistas especializados no assunto acreditam que o principal culpado pelo “sumiço” das abelhas podutoras de mel seja a intensificação da atividade agrícola, que consome grandes áreas de terra, incluindo zonas de polinização desses insetos
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segunda-feira, 24 de março de 2014

Odor sinaliza o caminho até as flores para as abelhas.


Abelha-uruçu: odor carregado pelo vento leva ao néctar
Abelhas que jamais deixaram a colmeia podem aprender a encontrar as plantas ricas em néctar e pólen só pelo odor carregado pelo vento ou trazido por outras abelhas para a colônia. Imaginava-se que isso ocorresse, mas faltava demonstrar. Agora a zoóloga brasileira Ana Carolina Roselino, da Universidade Estadual Paulista (Unesp),campus de Rio Claro, e o austríaco Michael Hrncir, da Universidade Federal Rural do Semiárido, no Rio Grande do Norte, comprovaram essa hipótese em um teste com uruçus (Melipona scutellaris), abelhas-sem-ferrão nativas da mata atlântica. Eles primeiro expuseram um grupo de abelhas a um fluxo de ar contendo geraniol e outro ao ar com linalol. Depois as colocaram em uma caixa de acrílico com dois potes de água açucarada: um com aroma de geraniol e outro de linalol. Cerca de 70% das abelhas expostas ao geraniol se alimentaram do recipiente com esse composto. Proporção semelhante do outro grupo preferiu o pote com linalol. Abelhas sem familiaridade com os aromas escolheram a comida de modo aleatório (Animal Behavior, março 2012).
clic em :> TECNOCIÊNCIA 
 http://revistapesquisa.fapesp.br/category/impressa/tecnociencia/ 

O padre das abelhas

Reconhecido no exterior, Jesus Moure contribuiu para a criação de instituições de pesquisa.


Padre Moure em 1948, Curitiba
Jesus de Santiago Moure era um padre do século XX, mas mais parecia um daqueles clérigos ilustrados dos séculos XVII ou XVIII, que aliavam a religião ao profundo interesse pela história natural. Ao morrer em consequência de falência múltipla de órgãos no dia 10 de julho, aos 97 anos, poucos sabiam qual era a ordem que seguia – a da Congregação dos Claretianos –, mas todos o reconheciam como um dos grandes sistematas de abelhas do planeta.
Filho de espanhóis, Moure nasceu em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A partir dos 12 anos frequentou seminários em Curitiba e Rio Claro. Teve toda a formação comum aos religiosos – com ênfase natural em filosofia e teologia – e aprendeu idiomas que seriam úteis na sua longa carreira científica, como latim, grego, hebraico, francês e espanhol. Em 1937, ao receber a ordenação em São Paulo, aproveitou o período na cidade para dar vazão a outra vocação, a zoologia. Fez contato com Frederico Lane, do Museu Paulista, e passou a colaborar com traduções do latim de textos entomológicos. Com Lane publicou seus primeiros trabalhos, entre 1938 e 1940, sobre curculionídeos, um tipo de besouro.
Começou a dar aulas de história natural no seminário de Curitiba, em 1938, e foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da cidade, depois integrada à Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em 1939 assumiu a Divisão de Zoologia do Museu Paranaense, do qual viria a ser diretor. “Como padre e professor do seminário e da faculdade tinha muitas obrigações durante o dia. Para continuar trabalhando e publicando simultaneamente, durante 20 anos dormi apenas três horas e meia por noite”, disse ele em depoimento para o livro Cientistas do Brasil (SBPC, 1998). O interesse por abelhas iniciou-se em 1940 com a publicação do artigo Apoidea Neotropica.
“Padre Moure foi autodidata em biologia”, assegura Paulo Nogueira-Neto, amigo de longa data, especialista em abelhas-sem-ferrão e professor emérito da Universidade de São Paulo (USP). “Ele aprendeu estudando sozinho, interagindo com colegas cientistas e acabou professor titular de zoologia”, conta. “Nogueira-Neto, Moure e o geneticista Warwick Kerr são os principais nomes da pesquisa com abelhas no Brasil pelo pioneirismo do trabalho que começou ainda na primeira metade do século passado”, diz o entomólogo Gabriel Melo, do Departamento de Zoologia da UFPR, o mesmo onde o padre trabalhou.
Além de Nogueira-Neto e Kerr, Moure colaborou intensamente com João Camargo – grande taxonomista e desenhista de talento da USP de Ribeirão Preto, morto em 2009 – e com pesquisadores do exterior, como Charles Michener, da Universidade do Kansas, que passou um ano em Curitiba trabalhando com ele em 1956. Quando Michener voltou para os Estados Unidos foi a vez de o brasileiro acompanhá-lo e trabalhar em outro país. Lá viu nascer e trouxe para o Brasil a taxonomia numérica, uma metodologia usada hoje em ecologia, ao assistir conferências do estatístico Robert Sokal, nos anos 1960. Viajou pela Europa para estudar coleções de abelhas neotropicais com bolsa da National Science Foundation e obteve auxílios da Fundação Rockefeller para equipar laboratórios no Brasil. No total, o religioso escreveu 220 artigos em revistas nacionais e estrangeiras e dois livros, além de ter descrito 432 espécies e 33 subespécies de abelhas entre 1940 e 2002. Nos últimos anos, debilitado, recolheu-se no convento dos claretianos de Batatais (SP).
Na parte institucional participou de iniciativas em prol da pesquisa, como a criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Coor­denação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), além de várias organizações científicas. “No Paraná, ele foi especialmente importante para desenvolver a pós-graduação”, conta Danúncia Urban, colaboradora antiga do “padre das abelhas”, como ficou conhecido em Curitiba. As atividades científicas nunca o fizeram abandonar as obrigações sacerdotais. Segundo Danúncia, os professores amigos celebravam seus casamentos e batizavam filhos e netos com ele. O pesquisador também não via nenhum conflito entre religião e ciência. Moure resolveu o problema de modo prático desde o princípio da carreira, segundo entrevista para Cientistas do Brasil: “Deus fez o mundo pela evolução. E a lei de Deus é a lei da evolução correndo no tempo”.
 Clic : Consulte o catálogo de abelhas do padre Moure
Reportagem : NELDSON MARCOLIN | Edição 174 - Agosto de 2010 - Pesquisa Fapesp

Estranha no ninho - Abelhas sem ferrão do nordeste.


© DENISE DE ARAÚJO ALVES/USP-RIBEIRÃO PRETO
A abelha rainha, marcada com etiqueta: eleita pelas irmãs para receber dieta especial e ser a procriadora do grupo
A abelha rainha, marcada com etiqueta: eleita pelas irmãs para receber dieta especial e ser a procriadora do grupo
As abelhas da espécie Melipona scutellaris, comuns na região Nordeste do Brasil, são conhecidas por não ferroarem (têm um ferrão atrofiado), por produzirem mel em abundância e por gerarem muitas rainhas numa mesma colônia. Apenas uma, no entanto, é escolhida para comandar a colmeia. Às outras, quando não são mortas pelas operárias, resta respeitar a linha sucessória e aguardar pacientemente a morte da soberana original. Ou, se derem sorte, abandonar a casa de origem e formar novas colônias com parte das operárias-irmãs. Até pouco tempo atrás essas eram as únicas formas conhecidas pelas quais as abelhas aspirantes ao papel de rainha – os biólogos as chamam de rainhas virgens – podiam ascender ao poder. Agora se sabe que esse repertório é maior.
Estudos realizados pela bióloga Denise de Araujo Alves e seus colaboradores revelam que as abelhas Melipona scutellaris, mais conhecidas como uruçu-nordestina, podem adotar um terceiro e mais arriscado caminho para chegar ao topo da hierarquia social. Em muitas situações, as rainhas virgens escapam de serem mortas pelas operárias e abandonam seus próprios ninhos. Durante a fuga, elas conseguem identificar e invadir colmeias que se tornaram órfãs com a morte da soberana original, mãe das demais abelhas da colônia. Com essa estratégia furtiva, abelhas sem um reino próprio agem como parasitas sociais: conseguem se impor às operárias que não são suas parentes e se beneficiam do trabalho delas. “É a luta pela sobrevivência”, conta Denise, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto.
Os trabalhos de Denise indicam ainda que as invasões têm hora marcada. Acontecem ao cair da tarde, quando é quase noite e as operárias que fazem a guarda dos ninhos estão menos alertas. “Parece ser uma ação calculada”, completa a bióloga.
A hipótese da ocupação de colônias por rainhas invasoras foi sugerida pela primeira vez em 2003 pelo pesquisador holandês Marinus Sommeijer. Trabalhando com abelhasMelipona favosa na Costa Rica e em Trinidad e Tobago, Sommeijer e sua equipe notaram que algumas colônias pareciam ter sido invadidas por forasteiras. Mas suas observações não permitiam confirmar a suspeita. Em 2008, durante seu doutorado, Denise e seus colaboradores decidiram retomar o problema e acompanharam duas populações de Melipona scutellaris – uma mantida no Laboratório de Abelhas do Instituto de Biociências da USP, em São Paulo, e outra na fazenda Aretuzina, em São Simão, no interior do estado, de propriedade de Paulo Nogueira-Neto, um dos pioneiros nas pesquisas com abelhas sem ferrão. Nessas duas populações, a pesquisadora coletou pupas de operárias de 23 ninhos em dois momentos: antes e depois da substituição das rainhas-mãe. Ao comparar as características genéticas da prole de cada colônia, os pesquisadores esperavam descobrir se a rainha morta havia sido substituída por outra rainha da própria colônia ou por uma invasora.
Na Universidade de Leuven, na Bélgica, em parceria com o biólogo Tom Wenseleers, Denise analisou o parentesco das pupas com uso de marcadores genéticos e verificou que os 23 ninhos haviam passado por 24 trocas de rainhas. Em seis casos (25% do total), o comando da colmeia havia sido conquistado por uma rainha invasora – essas abelhas são chamadas de parasitas sociais porque seus descendentes recebem os cuidados de operárias com as quais não têm parentesco genético.
“A invasão permite agora entender por que em algumas espécies é comum encontrar tantas rainhas num mesmo ninho”, explica a bióloga Vera Lúcia Imperatriz Fonseca, uma das mais respeitadas estudiosas de abelhas no país e orientadora de Denise no doutorado. Segundo Denise, a presença de várias rainhas numa mesma colônia era entendida como uma espécie de reserva para a eventual morte da soberana original ou para a fundação de um ninho-filho. “Mostramos que, caso escapem de serem mortas em suas colônias natais, algumas rainhas saem delas, acasalam com machos nas proximidades do ninho e penetram, já fecundadas, em colônias órfãs da população”, diz a bióloga. Uma vez instaladas nas novas colônias, essas rainhas iniciam a postura de ovos e se aproveitam do trabalho de operárias não aparentadas para manter sua prole.
Ao anoitecer
Depois de comprovar a existência de rainhas invasoras, Denise começou a investigar a razão do sucesso das forasteiras. Em outro trabalho feito em parceria com o grupo de Leuven, os pesquisadores brasileiros acompanharam por dois meses o cotidiano de oito colônias de Melipona scutellaris no Laboratório de Comportamento e Ecologia de Insetos Sociais da USP em Ribeirão Preto, coordenado por Fábio Nascimento. Entre fevereiro e março de 2012, a equipe identificou 520 rainhas virgens e marcou cada uma com um minúsculo chip no tórax. Um leitor instalado na entrada de cada colônia registrava a passagem dessas abelhas – tanto as do próprio ninho quanto as invasoras.
© DENISE DE ARAÚJO ALVES/USP-RIBEIRÃO PRETO
Chip permitiu rastrear rainhas virgens que ocuparam ninhos vagos após a morte da rainha original
Chip permitiu rastrear rainhas virgens que ocuparam ninhos vagos após a morte da rainha original
Nos 40 dias em que acompanharam a movimentação das rainhas, os pesquisadores identificaram o trânsito de oito rainhas, das quais três eram parasitas sociais. De acordo com os dados, apresentados na edição de setembro daAnimal Behaviour, as invasões aconteceram sempre ao cair da tarde ou no começo da noite, entre as 17 e as 20 horas. “Durante o dia há uma movimentação intensa de entrada de pólen e néctar na colmeia e muitas operárias ficam alertas, tomando conta das entradas das colônias para evitar furtos dos seus estoques de alimento”, conta Denise. “É difícil furar esse bloqueio.” Já no final da tarde, quando a busca por comida diminui e a luminosidade é mais baixa, essa vigilância fica reduzida e as rainhas parasitas aproveitam esses descuidos. Denise suspeita que as rainhas invasoras identifiquem as colônias órfãs guiando-se por pistas químicas. “Nossos dados mostraram que as rainhas entram nos ninhos no fim da tarde e que só invadem os ninhos órfãos”, conta.
Além das implicações evolutivas desse fenômeno, as invasões de colmeias pode influenciar o trabalho dos criadores de abelhas, que normalmente selecionam e dividem os ninhos levando em conta a capacidade de produção de mel de uma colônia. “Com o parasitismo, outra linhagem genética toma conta da colônia e a eficiência de produção pode mudar com o nascimento de operárias filhas da rainha invasora”, alerta Denise. Do ponto de vista ecológico, a ocupação do ninho alheio representa um mecanismo eficiente de dispersar seus genes. “Dessa maneira, a variabilidade genética de uma população pode ser alterada porque o parasitismo social pode aumentar o fluxo gênico entre populações.”
Para Vera Fonseca, o que Denise observou nas colmeias de Melipona scutellaris pode ser um fenômeno mais geral, que ocorre com outras espécies do gênero Melipona e com abelhas com ferrão. “Com as mudanças climáticas, as Melipona scutellarisprovavelmente irão buscar ambientes a que se adaptem melhor”, diz Vera, que é professora na USP em São Paulo. “Caso seja necessário fazer o deslocamento assistido dessa espécie, é relevante conhecer como essas abelhas estruturam geneticamente a sua população.”
Como próximo passo, Denise planeja usar os chips e os detectores para estudar a dinâmica de espécies que produzem poucas rainhas. “Queremos verificar se esse comportamento invasivo também ocorre em outras espécies que não pertençam ao gênero Melipona”, diz.
Projetos
1. Parasitismo social intraespecífico como estratégia reprodutiva em abelhas sem ferrão (Apidae, Meliponini) (2010/19717-4); Modalidade bolsa de pós-doutorado; Coord.Denise de Araujo Alves/USP-RP; Investimento R$ 237.463,20 (FAPESP).
2. Mediação comportamental, sinalização química e aspectos fisiológicos reguladores da organização social em himenópteros (2010/10027-5); Modalidade Jovem Pesquisador; Coord. Fábio Santos do Nascimento/USP-RP; Investimento R$ 260.000,00 (FAPESP).
Artigos científicos
VAN OYSTAEYEN, A. et alSneaky queens in Melipona bees selectively detect and infiltrate queenless coloniesAnimal Behaviour. v. 86, n.3, p. 603-9. Set. 2013.
WENSELEERS, T. et alIntraspecific queen parasitism in a highly eusocial bee. Biology Letters. v. 7, p. 173-6. 2010.
FRANCISCO BICUDO | Edição 212 - Outubro de 2013 - fapesp - pesquisa

Antidoto contra ferroadas de abelhas.

Em São Paulo e no Rio, dois compostos que combatem a ação do veneno de abelhas passam nos testes iniciais.

FRANCISCO BICUDO e RICARDO ZORZETTO
 | Edição 216 - Fevereiro de 2014

Como uma agulha: o ferrão, no final do abdômen, é usado para injetar veneno quando a abelha (Apis sp) se sente ameaçada
Como uma agulha: o ferrão, no final do abdômen, é usado para injetar veneno quando a abelha (Apis sp) se sente ameaçada
Pesquisadores paulistas concluíram mais uma etapa da complexa tentativa de produzir um soro capaz de proteger o organismo dos danos causados pelo veneno de abelhas. Em testes com células cultivadas em laboratório e em experimentos com camundongos, o bioquímico Mario Sérgio Palma e seu grupo na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro demonstraram que o soro desenvolvido por eles evitou os danos mais frequentes das ferroadas. “Conseguimos neutralizar 95% dos efeitos nocivos do veneno nos camundongos avaliados”, diz Palma.
Nos testes os roedores tratados com o soro sobreviveram a doses elevadas de veneno, que em seres humanos equivaleriam a centenas de ferroadas, como é comum nos acidentes graves. Nessas situações, o composto impediu a destruição das células sanguíneas que transportam oxigênio e gás carbônico, um dos efeitos iniciais do veneno. Composto por anticorpos extraídos do sangue de cavalos, o soro evitou também os danos nas células musculares, uma das primeiras afetadas no envenenamento, e protegeu os rins, o fígado e o coração dos animais das lesões que surgem até 72 horas após o ataque de um enxame.
Esses resultados colocam o candidato brasileiro a soro em um estágio que aparentemente não havia sido alcançado por outros grupos – nos anos 1990, equipes da Inglaterra e dos Estados Unidos iniciaram o desenvolvimento de compostos a partir do sangue de ovelhas e de coelhos, mas os trabalhos não avançaram. Apesar do progresso recente, o caminho a ser percorrido até que o soro esteja disponível para o uso em seres humanos ainda é longo. “Precisamos desenvolver o processo de padronização do soro”, diz Ricardo Palacios, gerente de pesquisa e desenvolvimento clínico do Instituto Butantan, instituição que participa do desenvolvimento do soro.
Há cerca de dois anos o grupo de Palma iniciou uma parceria com o Butantan, um dos maiores produtores de soros e vacinas do país, e com colaboradores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade São Francisco e do Instituto Tecnológico do Paraná, para integrar todas as etapas de teste e produção. “Dominamos a produção do soro para os testes em laboratório”, comenta a médica Fan Hui Wen, do Butantan. “O desafio agora é transpor da bancada para a escala industrial.”
Os pesquisadores do Butantan atualmente estão repetindo os testes com células cultivadas em laboratório e com camundongos para confirmar a eficicácia e a segurança do composto. Na fazenda do Butantan, os cavalos que servirão como fábricas do soro para os próximos testes já começaram a ser selecionados e imunizados. Se tudo correr bem, espera-se iniciar os testes em seres humanos em dois anos. Será preciso também definir critérios para a administração do soro, de acordo com a gravidade dos sintomas. Segundo Fan, o soro deve, em princípio, funcionar apenas contra o veneno de abelhas brasileiras, resultado do cruzamento de espécies europeias e africanas, e não para tratar alergias ou reações anafiláticas. “São manifestações distintas, que devem ser tratadas com estratégias diferentes.” Ela insiste: o soro servirá para os acidentes em que há ataques de enxames e múltiplas ferroadas – no Brasil ocorrem por ano 15 mil acidentes com abelhas, dos quais cerca de 750 são graves e, em tese, se beneficiariam do soro.
Mesmo que seja eficiente em humanos, o soro por si só não deve combater todos os efeitos do veneno. “O soro neutraliza a ação do veneno, ou seja, a causa dos danos”, explica Fan. “Por isso, quanto mais cedo for aplicado, menos veneno ativo haverá na circulação.” Mas, ela conclui, o soro não deve eliminar a necessidade do uso de anti-inflamatórios, antialérgicos e outros medicamentos para combater os danos já causados nos tecidos.
Proteção amplaChegar até aqui não foi simples. Palma e sua equipe tiveram inicialmente de considerar as singularidades de composição do veneno da abelha. Era comum, nos estudos feitos até então, que se tentasse imitar as características químicas do soro usado nas picadas de cobra. Os dois tipos de veneno, no entanto, têm finalidades diferentes: o das cobras paralisa ou mata as presas que servirão de alimento, enquanto o das abelhas funciona como recurso de defesa ante a ameaça de um possível predador. Do mesmo modo, os efeitos de cada veneno são diferentes. “A ferroada da abelha não causa hemorragia nem gangrena”, conta Palma.
A tarefa seguinte foi identificar as moléculas ativas do veneno das abelhas e seus possíveis efeitos (inchaço, vermelhidão, dores musculares). A partir daí se pôde fazer um soro de proteção ampla, com anticorpos que neutralizassem cada proteína ou peptídeo (ver Pesquisa FAPESP nº 153).
Em paralelo, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a equipe de Paulo Melo observou que um medicamento chamado suramina pode ajudar a bloquear efeitos do veneno de abelha. Desenvolvida há quase um século, a suramina combate algumas parasitoses e ameniza o efeito de picadas de serpente. Os testes na UFRJ foram realizados com culturas de células, tecidos isolados e posteriormente com camundongos, que receberam doses letais do veneno de abelha e, em seguida, a suramina. “Neutralizamos as lesões musculares e os edemas”, diz Melo. Ele acredita que a suramina sirva como complemento do soro desenvolvido pela Unesp e pelo Butantan ou como terapia isolada nos casos de alergia aos soros de origem animal.
“Em estudos dessa natureza há sempre gargalos científicos, tecnológicos e regulatórios que precisam ser vencidos. Mas, se tudo der certo, o Brasil, que já é líder mundial na produção de vários soros, poderá se tornar referência também no tratamento dos acidentes com abelhas”, diz Jorge Kalil, diretor do Butantan. Ele conta que o consórcio brasileiro que desenvolveu o soro contra o veneno de abelhas já foi procurado por uma empresa que pretende colocá-lo no mercado dos Estados Unidos, assim que estiver pronto e aprovado.
ProjetoBiologia de sistemas como estratégia experimental para a descoberta de novos produtos naturais na fauna de artrópodes peçonhentos do estado de São Paulo (nº 2011/51684-1); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Mario Sérgio Palma – Unesp; Investimento R$ 2.207.081,76 (FAPESP) e R$ 1.530.000,00 (CNPq e Finep)
Artigos científicosSANTOS, K.S. et alProduction of the first effective hyperimmune equine serum antivenom against africanized beesPLoS One. 13 nov. 2013.
EL-KIK, C.Z. et alNeutralization of Apis mellifera bee venom ­activities by suramin.Toxicon. v. 1 (67), p. 55-62. 2013.

domingo, 23 de março de 2014

Turquia: O mel mais caro do mundo custa mais de R$ 16.000 por Kg

materia : 

Jornal Ciência


Afinal, o que tem de tão especial em um simples mel para custar tão caro?
Chamado de mel élfico, ele é produzido na Turquia e é conhecido oficialmente como o mais caro do mundo. Ele é especial por ser extraído de uma caverna com mais de 1.800 metros de profundidade no vale Saricayir, na cidade de Artvin, nordeste do país.
De acordo com Gunay Gunduz, o apicultor responsável pelo produto, o mel élfico é tão caro porque é produzido de forma natural. A caverna é riquíssima em minerais que melhoram incrivelmente o sabor do mel, aumentando drasticamente seu valor. Gunduz, cuja família é formada por apicultores há mais de 3 gerações, percebeu em 2009 que algumas abelhas entravam na caverna. Após refletir sobre o que tinha observado, resolveu conferir se lá dentro tinha mel.

Foto: Reprodução / Agência Anadolu
Com a ajuda de alpinistas profissionais, entramos nas entranhas profundas da caverna e encontramos 18 kg de mel rebocados nas paredes esféricas”, disse ele. Mais tarde, o mel foi analisado em um laboratório francês, confirmando que ele possuía 7 anos de idade, tinha altíssima qualidade e era muito rico em minerais.
O primeiro 1 Kg do mel foi vendido na bolsa francesa por um valor absurdo equivalente a R$ 146.000! Um ano depois, farmacêuticos chineses compraram mais 1 kg por R$ 91.000. Atualmente, o valor caiu e está orçado em R$ 16.000, o que não é nada barato e acessível para pouquíssimas pessoas.
O dono do mel fracionou o produto em embalagens de 170 g e 250 g, mas nem por isso a venda do produto tornou-se fácil. O valor exorbitante afasta qualquer pessoa que tenha curiosidade pelo produto.

Foto: Reprodução / Agência Anadolu
Gunduz afirma que o mel pode ser usado na medicina ou na alimentação: “O mel é produzido de uma forma natural e sem causar urticária. A área é rica em plantas endêmicas e medicinais. Tudo isso afeta o preço”.
O mel turco é conhecido por ser considerado o melhor do mundo, mas as produções artificiais estão fazendo os preços caírem, podendo encontrar frascos em feiras do país por menos de R$ 48,00.

sábado, 22 de março de 2014

Biodiversidade e polinização são temas de palestras do BIOTA-FAPESP Educaçã

19/03/2014
Agência FAPESP – O Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA-FAPESP) realiza na quinta-feira (20/03), na sede da Fundação, três palestras sobre biodiversidade e polinização.
O encontro é parte do ciclo de conferências de 2014 do BIOTA-FAPESP Educação, vertente do programa voltada à melhoria do ensino da ciência da biodiversidade. Podem participar estudantes, alunos e professores do ensino médio, alunos de graduação e pesquisadores.
A polinização é um dos serviços ecossistêmicos ou ambientais gerados naturalmente por ecossistemas. Esses serviços produzem benefícios aos seres humanos, seja na forma de produtos – como alimentos e substâncias medicinais –, seja na forma de processos relacionados à fertilização do solo, controle do clima e muitos outros.
As palestras vão tratar de sistemas de polinização de espécies brasileiras, serviços ecossistêmicos das abelhas e polinizadores de culturas importantes da agricultura brasileira e serão apresentadas pelas pesquisadoras Kayna Agostini, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Vera Imperatriz Fonseca, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), no Rio Grande do Norte, e Cláudia Inês da Silva, da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Essencial para a manutenção de espécies e a variabilidade genética entre os vegetais, a polinização é o início do processo reprodutivo de plantas espermatófitas, isto é, que produzem sementes. É feita pela transferência de grãos de pólen – células reprodutivas masculinas – para o aparelho receptor feminino dos vegetais principalmente pelas abelhas, os mais importantes polinizadores de ecossistemas em todo o mundo.
O declínio na população de abelhas polinizadoras, observado atualmente na Europa e nos Estados Unidos, causa prejuízos anuais de centenas de milhões de dólares. No Brasil, poucos estudos sobre as condições para que a polinização ocorra em diferentes ecossistemas estão concentrados em culturas relevantes para a atividade econômica, como laranja, café, soja, algodão, maracujá, maçã, melão e caju.
BIOTA-FAPESP Educação
O BIOTA-FAPESP Educação realizou seu primeiro ciclo de conferências em 2013, com palestras sobre biodiversidade e biomas brasileiros. A atividade continua em 2014 abordando o tema serviços ecossistêmicos. As palestras transmitem, em linguagem acessível, o conhecimento sobre biodiversidade e sua conservação, recuperação e uso sustentável gerado pelo BIOTA-FAPESP. Os temas dos próximos encontros serão Proteção aos Recursos Hídricos, Biodiversidade e Mudanças Climáticas e Ciclagem de Nutrientes.
Em 14 anos de pesquisa, o programa produziu um banco de dados com mais de 102 mil registros de quase 12 mil espécies. Os pesquisadores ligados a mais de 100 projetos formaram 205 doutores, publicaram 1.050 artigos científicos em 260 revistas científicas, 20 livros, dois atlas e mapas temáticos para orientação de políticas públicas. Esse conjunto de informações subsidiou a criação de 23 instrumentos legais (leis, decretos e resoluções) voltados à conservação ambiental no Estado de São Paulo.
O evento é gratuito, mas as vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas pelo sitewww.fapesp.br/eventos/biotaeduc2014/polinizacao/inscricao.
A conferência ocorrerá a partir das 14 horas na sede da FAPESP, que fica na Rua Pio XI, 1500, em São Paulo.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Encontro de amigos da meliponicultura capixaba abril/2014.

Hoje 16 de março tive o prazer de receber em minha casa para um cafe da manha amigos especiais que compartilham a paixão pela meliponicultura e que estão empenhados na preservação de todas as especies de abelhas sem ferrão, principalmente a nossa URUÇU CAPIXABA.

Tivemos a oportunidade de colocar nossas conversar meliponicas em dia, trocar experiencias e também conseguimos transferir duas merins que estavam em cortiços e garrafas pet a algum tempo.

Como o dia fica curto, quando a conversa boa então fica para o nosso próximo bate-papo a divisão de mandaçaias, uruçu amarela e também a transferência de mais ou menos umas 10 jatais para caixa a ser definida, visto que conseguimos vários modelos diferentes.



 Da esquerda para direita : Vinicius, Willian, Fabio, julio ( meliponario Aracruz) , joão (meliponario capixaba).


Bate papo:  vinicus, willian, fabio, joao.

Publicado - julio

quarta-feira, 12 de março de 2014

Crime ambiental ameaça reservas



Ameaças a nossas reservas por caçadores sem qualquer consenso de preservação, só com interesse na destruição do que resta do meio ambiente. Segue reportagem abaixo do diário do nordeste no dia 12/02/2014 - site http://diariodonordeste.verdesmares.com.br
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A reserva de Aiuaba é um dos alvos dos depredadores em áreas protegidas
FOTO: SILVANIA CLAUDINO
Crateús. Dois importantes espaços de preservação de espécies nativas do sertão cearense e do bioma caatinga, localizadas nesta região, sofrem graves ameaças: a Estação Ecológica de Aiuaba e a Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), situada neste município. Ambas pedem soluções urgentes para as questões de segurança. Solicitam a instalação de uma unidade da Companhia de Polícia Militar Ambiental (CPMA) neste município para atuar e proteger toda a região.
A RNSA, gerenciada pela Associação Caatinga, está preocupada com a falta de segurança na sua área. Atualmente, conta com quatro guardas ambientais (guarda-parque), insuficientes para proteger a extensa área da Reserva, de 6.146 hectares no sertão de Crateús.
A apreensão é sentida pela comunidade local, que conhece bem de perto a rotina nessas áreas ambientais. A reserva em Crateús é um santuário ecológico no meio do sertão, reconhecida pela Unesco como o primeiro Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Caatinga.
Caçadores
Ultimamente tem sofrido invasões de caçadores, que ameaçam as espécies nativas e até os pesquisadores, que vão ao local em busca de novas espécies e de estudos acadêmicos. No início deste ano, a gerência teve que acionar a Polícia quando um grupo de caçadores foi detido no local após a captura de animais.
"Estamos em estado de alerta e muito preocupados com essa situação, pois existe a legislação, mas algumas pessoas insistem em infringir. Aqui temos espécies nativas, que estão em estágio de extinção, além de pesquisadores que veem à Reserva para aprofundar suas observações e pesquisas, bem como estudantes e visitantes. Tudo isso precisa de segurança efetiva, maior do que a que temos atualmente. A região carece urgente de patrulhamento ambiental, de uma unidade situada aqui", salienta Ewerton Torres, gerente da Reserva Serra das Almas.
Segundo ele, as invasões por parte dos caçadores continuam frequentes. Eles entram portando armas, colocam armadilhas para capturar animais endêmicos da caatinga, como foi o caso em janeiro deste ano, que mataram 11 mocós. Chegam a ameaçar os guardas, os quais agem apenas orientando e conscientizando as pessoas que adentram a área.
A Associação já enviou ofícios e documentos a vários órgãos ambientais solicitando providências, segundo a gerência. "Os guardas não usam armas, não tem poder de policiamento, apenas orientam, então fica difícil manter a área protegida contra a ação contínua de caçadores", ressalta Torres.
Ele acrescenta que na região surgem novos espaços de proteção, como as reservas particulares, que também vão necessitar de uma ação policial ambiental.
O caso da Estação Ecológica de Aiuaba é ainda mais grave. Vai além da falta de segurança. A área de 11.525 hectares, uma das poucas áreas de caatinga preservadas na região Nordeste e no Ceará, sofre degradação padecendo de descaso e invasões. Está sem gerência desde 2012, fato já foi divulgado pelo Diário do Nordeste em julho do ano passado, após denúncia do Pacto Ambiental dos Sertões de Crateús e Inhamuns (Parisc).
Desprotegida
O Pacto, inclusive, realizará audiência pública em Aiuaba no próximo dia 27 para tratar do assunto e cobrar ações concretas por parte dos órgãos ambientais estaduais e federais.
"A Estação Ecológica de Aiuaba está entregue a própria sorte, desde dezembro de 2012 está sem gerente, o que está ocasionando danos irreparáveis à região dos Inhamuns e ao bioma caatinga. Os caçadores estão fazendo farra com a matança de pássaros e animais silvestres, além da derrubadas de árvores nativas centenárias. Na Reserva Serra das Almas, no município de Crateús, o problema da insegurança também é preocupante", destaca Jorge de Moura, secretário executivo do Pacto.
Segundo o Pacto, a Estação foi criada há 12 anos e atualmente é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. A sua área de entorno não é regularizada e isso praticamente inviabiliza a captação de recursos para investir em projetos de conservação da fauna e da flora daquela unidade.
Um acordo firmado no ano de 2000 prevê a desapropriação de uma área de dois mil hectares para ser incorporada à unidade como compensação pela perda de área original da Reserva em decorrência da construção do Açude Benguê, pelo Governo do Estado.
O acordo ainda não foi cumprido. Por conta disso, a Reserva não tem definição de sua área de entorno, não pode elaborar um plano de manejo e fica impedida de receber recursos. A indefinição prejudica a conservação e a pesquisa na unidade. A situação é precária", ressalta Moura.

Infrações
"Estamos em estado de alerta, pois existe a legislação, mas algumas pessoas insistem em infringir"
Ewerton Torres
Gerente da Reserva Serra das AlmasMais informações:
Estação Ecológica de Aiuaba
Rodovia CE-176, Km 495
Telefone: (88) 3524.1233
Parisc
Telefone: (88) 8868.8839
Silvania Claudino
Repórter

quinta-feira, 6 de março de 2014

Criadores de abelhas sem ferrão estimulam preservação da espécie

Mel das melipolíneas possui 80% mais propriedades medicinais do que o mel das abelhas africanas.

Any Cometti
03/03/2014 18:49 - Atualizado em 04/03/2014 12:37

A criação ainda é pouco difundida no Espírito Santo, mas prática comum no vizinho Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e no Amazonas. Uma tradição que começou com os indígenas, antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil,  é mantida por poucos meliponicultores capixabas. No Estado, ainda não há muito interesse por esse tipo de criação, que reúne 300 espécies catalogadas. Dentre elas, Jataí, a que melhor se adequou ao espaço urbano, uruçu amarela, mandaguari, mandaçaia e as várias abelhas mirins. Meliponicultura consiste, basicamente, na criação de abelhas sem ferrão, de origem brasileira, técnica que é diferente da apicultura, que é a criação das abelhas do gênero Apis, chamada de abelha africanizada.
 
Segundo o site O Eco, a variedade Apis mellifera L. foi trazida ao Brasil por volta de 1839, pelo padre português Antonio Carneiro, para produzir cera e mel. Em 1956 a abelha africana Apis mellifera scutellata chegou ao país para investigação científica. As duas espécies se miscigenaram, dando origem à abelha africanizada, que monopolizou a produção no Brasil devido à sua alta produtividade. Enquanto as melipolíneas produzem entre dois e sete quilos de mel por ano, as africanizadas chegam aos 100 quilos anuais.
 
Entretanto, o mel das melipolíneas possui 80% mais propriedades medicinais do que o mel das abelhas africanas, o que faz com que um litro de mel das abelhas brasileiras chegue a até R$ 150 reais, como retrata o meliponicultor Judismar Barbosa, o Júlio. O valor agregado, considera, é muito maior do que o da produção de mel tradicional.
 
Para chegar a esse resultado, que seria uma renda alternativa para um produtor rural, por exemplo, Júlio compara a produção anual de ambas as espécies: enquanto são necessárias 80 mil abelhas africanizadas para produzir 15 litros de mel ao ano, que são vendidos por R$ 20 e, assim, rendem R$ 300 anuais, apenas três mil exemplares de abelhas brasileiras produzem quatro litros de mel por ano. Cada um vendido a R$ 150 reais, rendendo um total de R$ 600 por ano. 
 
Ao contrário do mel da abelha Apis, com bastante concentração de açúcar e apenas 20% de umidade, o mel das abelhas melipolíneas tem cerca de 35% de água e seu gosto varia entre o azedo, o doce e o frutal. É um problema até mesmo na legislação nacional do setor, que considera como mel apenas aqueles que têm concentração semelhante à das abelhas melíferas.
 
Devido à grande quantidade de água, o mel das melipolíneas precisa estar sempre refrigerado para que não fermente ou passe por processos adequados de fermentação se for armazenado no ambiente livre. Essas abelhas, aliás, são bastante seletivas, procuram somente o pólen e o néctar de flores para produzirem seu mel, ao contrário das Apis, que podem utilizar materiais artificiais, como balas e refrigerantes, na fabricação de seu produto. Em oposição às suas co-irmãs africanizadas, esses animais são tão dóceis que, em determinados momentos, chegam a ser temerosos aos movimentos humanos.
 
O próprio formato das colmeias é diferente. As colmeias das abelhas brasileiras não possuem aquele clássico formato feito pelas abelhas que possuem ferrão, que constroem seus favos em gavetas paralelas de caixas quadradas. Os meliponários, que é como se chamam os criadouros das abelhas sem ferrão, podem ser criados em pequenas caixinhas com divisões horizontais, onde as abelhas constroem pequenos potes de cera e depositam o mel. O processo de extração é tão simples que não é necessária nenhuma roupa de proteção. Apenas com o uso de uma seringa se extrai o mel dos potes de cera que as abelhas constroem.
 
Até mesmo a reprodução desses ninhos é fácil. Com uma garrafa pet, embebida em uma mistura de álcool de cereais e a cera da espécie que se quer capturar, as abelhas já são atraídas e, ali, constroem um ninho, que mais tarde pode ser transferido para caixas de madeira. Júlio, atualmente, também realiza experiências com recipientes feitos com isopor reciclado. É um trabalho de baixo custo e que precisa de raras manutenções, apenas garantindo que os predadores naturais (calangos, passarinhos e mosquitos forídeos) não atinjam os ninhos e que as abelhas tenham acesso ao pólen e ao néctar.
 
Além disso, o meliponicultor retrata que essas abelhas são fundamentais para que as árvores frutíferas deem frutos de melhor qualidade, por conta da polinização natural que provocam. Sem esse processo, conta, as árvores podem até dar frutos, mas não tão bons como os que nascem pela fertilização natural provocada pelos pequenos animais. Algumas delas, por serem de menor porte, chegam a polinizar flores ainda menores, chegando onde as abelhas africanas não conseguem. Sem dúvidas, considera, é um benefício para o agricultor familiar que busca melhor qualidade em seus produtos.
 
Entretanto, esses pequeninos animais possuem dois grandes vilões: a destruição das matas e o uso indiscriminado de agrotóxicos. Júlio conta que as árvores são fundamentais para a reprodução das abelhas brasileiras, que se aproveitam de troncos ocos para instalar suas colmeias, e para que haja um manejo sustentável das espécies, é importante que hajam estudos de reflorestamento e de floradas associados a pesquisas sobre as abelhas e os ninhos que constroem. Já sobre os agrotóxicos, considera que seu uso é "um tiro no pé", já que o objetivo é produzir maiores e melhores frutos, sendo que eles próprios matam as abelhas, que são animais fundamentais para a qualidade da polinização e, consequentemente, da produção.
 
A maioria dos criadores das abelhas brasileiras, como relata Júlio, o fazem não com a intenção de vender seu produto, que é escasso, mas sim com a pretensão de não deixá-las extinguir, já que, por exemplo, a espécie Uruçu capixaba está na lista negra (de extinção) do Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
 
Entretanto, para que a criação das abelhas brasileiras seja feita da forma correta e não cause um desequilíbrio ecológico, os meliponicultores precisam da capacitação. Júlio alerta, ainda, para o fato de que os capixabas ainda não conhecem a criação dessas espécies e de que o governo e a iniciativa privada precisam investir em pesquisas, em financiamento para sua criação e em capacitação para futuros meliponicultores. "Temos que quebrar esse paradigma de que são abelhas apenas as que ferroam, já que as espécies brasileiras poderiam ser amplamente disseminadas em parques públicos e no meio dos centros urbanos", enfatizou.
 
Quem tem interesse em se tornar um meliponicultor, pode entrar em contato com os criadores nos endereços abaixo:
 
 
 
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