quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Os forídeos



Pseudoypocera kerteszi a 34° C.
Fase de ovo: 6 a 8 horas; larva: 96 horas; pupa: 136 horas; total = 240 horas ou 10 dias.
Assim, se o meliponicultor manipulou a colônia de abelhas e não encontrou forídeo, isto 
não significa que esta livre desses Dipteros. Ocorre muito isso, ou seja, feita à revisão o
 e depois o meliponicultor acha que esta tudo bem, deixando de realizar outras revises. 
Quando volta em um a dois meses a (s) colônias morreram.
Muitas vezes os ovos não são vistos durante a revisão, pois são pequenos (1mm ou menos). 
Sempre que o ataque ocorre e o meliponicultor não percebe por estar ausente naqueles dias, 
atribuiu a morte da colônia a outros motivos, muitos dizem:
"as abelhas foram embora...", mas a rainha fisogástrica não voa, impedida de deixar a colônia 
às operarias permanecem ate a morte. O ataque dos forídeo desastroso e quando acaba o 
alimento para eles, deixam a caixa das Abelhas vazia e procuram outro local para ovopositarem.
Saiba mais sobre o forídeo:
Biologia e Citogenetica. P. kerteszi Enderlein, 1912" . Tese de Mestrado: Jose Desidorio Gomez
Perez, 1975, USP/Riobeirao Preto, SP, Brasil.;
Davi Said Aidar - aidar@argo.com.br
Controle de Forídeos (Pseudohypocera kertesi)
INTRODUÇÃO - O forídeo é um díptero que se alimenta de material orgânico em decomposição
 (frutas, principalmente). A fase larval adaptou-se muito bem ao consumo de pólen e larvas de 
meliponíneos. O adulto quando entra na colônia de abelhas, põe seus ovos preferencialmente 
no pólen armazenado pelas abelhas ou em favos de crias destruídos pelo manejo inadequado. 
As larvas dos forídeos alimentam-se de pólen, larvas e pupas de abelhas, causando sérios danos
 à colônia.
Caso o meliponicultor não cuide das colônias afetadas, eliminando o parasita, ela morrerá após 
alguns dias de infestação.
Cada forídeo põe até 70 ovos, que em 3 dias desenvolvem-se em indivíduos adultos. 
Uma colônia infestada por forídeos é fonte de infestação no meliponário. Desta forma, 
esta colônia deve ser tratada ou eliminada o mais rápido possível.
MÉTODOS - Três fases compreendem o ataque de forídeos a uma colônia de meliponíneo. 
Mediante esta divisão em 3 fases, devem ser empregados os métodos de manejo para controle.
A. Fase inicial - A.1. Diagnóstico: Alguns forídeos caminham pelas paredes internas da 
colméia (5-10), podendo haver larvas na lixeira mas não nos potes de alimento.
A.2. Tratamento. - A.2.1. Levar a colméia para dentro de um cômodo fechado e assoprar 
várias vezes por entre os potes de alimento e pelo invólucro do ninho, até saírem todos os forídeos.
A.2.2. Cobrir a lixeira com uma camada de sal comum de 0,3 cm de altura e levar a colméia para 
seu local de origem.
A.2.3. Matar os forídeos que ficaram presos no cômodo; a maioria pousa no teto e são fáceis de 
serem mortos.
A.2.4. Repetir a operação A.2.1. duas vezes ao dia durante 3 a 4 dias.
B. Fase intermediária - B.1. Diagnóstico: muitos forídeos (+ de 20) caminham nas paredes internas 
da colméia;
larvas no piso, parede e lixeira da colméia; podendo haver casulos de forídeos; não há larvas 
nos potes de alimento.
B.2.Tratamento. - B.2.1. Levar a colméia para dentro de um cômodo fechado e assoprar várias 
vezes por entre os potes de alimento e pelo invólucro do ninho, até saírem todos os forídeos.
B.2.2. Realizar limpeza no piso da colméia e esmagar todos os casulos e larvas.
B.2.3. Cobrir o piso da colméia com camada de sal de 0,3 cm de altura.
B.2.4. Repetir a operação A.2.1. duas vezes ao dia durante 4 ou mais dias, até desaparecerem os 
forídeos. Enquanto estiver aparecendo forídeos adultos, possivelmente existem mais casulos na
 colméia ou os forídeos estão vindo de outro local.
C. Fase terminal - C.1. Diagnóstico: muitos forídeos dentro da colméia (+ de 50), principalmente
 na face interna da tampa; larvas e casulos espalhados; potes de alimentos infestados por
 larvas e alguns com aparência úmida na região externa;
a rainha cessa a postura.
C.2. Tratamento.- C.2.1. Preparar uma nova colméia para receber a colônia infestada que será 
desmembrada e transferida.
C.2.2. Levar as duas colméias para um cômodo fechado.
C.2.3. Transferir para a nova colméia apenas os favos de crias claros (nascentes), rainha e abelhas. 
Alimentar com xarope, em potes artificiais apenas para o suprimento diário da colônia que será 
alimentada diariamente até o desaparecimento de todos os forídeos.
C.2.4. A antiga colméia deverá ser desinfetada com fogo (flambar com álcool ou com maçarico) e 
os forídeos restantes no cômodo fechado deverão ser mortos.
D. Profilaxia
D.1. Quando a colônia estiver infestada por forídeos, nunca deixá-la aberta nas imediações do 
meliponário para não contaminar o ambiente.
D.2. Manter o meliponário sempre limpo, livre de material em decomposição e restos de colônias 
mortas ou colméias desabitadas com restos de colônias: cera, potes de alimento vazios, favos de 
crias, etc.
D.3. As colônias iniciais deverão estar sempre populosas (mais de 180 campeiras) e sem potes
 de pólen.
D.4. Não danificar potes de pólen e de crias durante as revisões das colônias.
D.5. A alimentação artificial deve ser progressiva (conforme o crescimento da colônia aumenta-se a
 quantidade de alimento fornecida) para evitar excesso de alimento dentro da colméia.
D.6. O próprio meliponicultor pode proporcionar condições favoráveis aos forídeos quando não 
adota hábitos de higiene com relação aos resíduos de colônias mortas ou manipuladas. Restos
 de cera e colméias velhas abandonadas são abrigos para os forídeos.
AIDAR, Davi Said. Pós-Doutorando (FAPESP). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP, 
Departamento de Genética e Matemática Aplicada à Biologia, Laboratório de Gerontogenética. 
Av. Bandeirantes, 3900, Monte Alegre, Ribeirão Preto, SP. Tel. 16-6023030.

Forídeo Pseudohypocera kertesz - Principal inimigo das abelhas nativas na Amazônia, 
no Nordeste e no Sul do Brasil.
Megaselia scalaris - Maranhão
A palavra forídeo vem do grego "fóridas" que significa ladrão.
Os forídeos são insetos que pertencem à ordem dos dipteros. Há diversos gêneros de forídeos que
 podem freqüentar as colônias de Meliponíneos e Apis Melífera: Pseudohypocera, Aphiochaeta, 
Melittophora e Melanoncha. São pequenas mosquinhas que andam muito rápido.
Os forídeos adultos de nada prejudicam as colméias, porém suas larvas alimentam-se principalmente
 nos potes ou células de pólen, e após consumi-los passam aos potes ou favos de mel, 
simultaneamente penetrando nas células de cria para alimentar-se das larvas, pupas e do pólen
 apodrecendo os favos.
Após uma colméia ser infestada pelos pseudohipocera cartezi temos que tomar muitas precauções
 relativas ao seu salvamento.
Porque acontecem as infestações ?
1-Colméia aberta por muito tempo durante o manejo,
2-Caixa com frestas (principalmente nas tampas),
3-Potes de pólen rompidos,
4-Discos de cria amassados,
5- Queda acidental de colônia
Estes fatores debilitam a colméia tornando-a fraca principalmente em meliponas; em algumas 
colméias de mandaçaia podemos ver, em algumas épocas do ano, uma pequena quantidade de 
forídeos, porém, deveremos traçar um perfil das épocas de infestações e providenciar a colocação
 de armadilhas internas e/ou externas para o controle.
No caso da trigona spinipes (irapuá), é normal o convívio dos forídeos dentro de sua colméia,
 só ocasionando prejuízos quando são rompidos os potes de pólen ou amassados os discos de cria.
Após uma tentativa incessante com vários espécimes vegetais tóxicos, como por exemplo 
coroa-de-cristo (euphorbia milli), mamona (ricimus comunis l., comigo-ninguém-pode
 (diffenbachia picta (schott), e cinamomo (melia azedarach), ou mesmo a combinação deles, 
se obteve com sucesso um biocida de forma funcional contra os forídeos.
A melia azedarach (cinamomo) tem como princípios ativos saponinas e alcalóides 
neurotóxicos (azaridina).
A formulação a que chegamos com sucesso foi a seguinte:40g de folhas secas, 40g de 
sementes despolpadas em 200 ml de álcool de cereais. Esta solução fica em descanso por 72 hs
 devendo ser diluída na proporção 40 ml por litro (mínimo) de vinagre - principalmente o de maçã. 
Foram feitos até agora vários experimentos com as larvas que após terem consumido todo o pólen, 
migram para as armadilhas internas á colméia e, morrem afogadas.
A duração do efeito sobre os forídeos ficou em média de 7 dias.
Uma alternativa adotada pelo meliponicultor Valmir Zügue de Boqueirão do Leão RS,
 foi a de cobrir a caixa com plástico, dificultando a entrada dos forídeos por qualquer 
deformidade na caixa, deixando somente o canal de ingresso aberto.
Também no caso de uma infestação severa podemos utilizar sal de cozinha (NaCl) 
sobre as larvas (Aidar) Nas infestações que tive que fazer salvamento, deixei todo o 
período as colméias fechadas dificultando a saída ou entrada dos mesmos e, todas as noites
 foram trocadas as armadilhas e estas foram colocadas em maior quantidade nesta fase inicial 
para capturar as moscas e, posteriormente uma ou duas para as larvas e as mosquinhas que
 irão nascer; estas armadilhas deverão ser verificadas todos os dias, pois é comum as abelhas 
fecharem os orifícios por onde entram as
moscas. Este procedimento das caixas ficarem fechadas e preferencialmente em local escuro e
 fresco, é somente pelo período de captura das moscas e, posteriormente poderá ser aberta 
enquanto as larvas migram para as armadilhas, que devem revisadas a cada 7 dias após a 
captura de todos os forídeos adultos (tempo de ação do biocida).
O manejo das colméias infestadas tem sido feito à noite, com lâmpada amarela ligada a um 
dimmer (controlador de potência). Se for colocado um filtro vermelho à frente desta lâmpada, 
poucas abelhas e forídeos sairão da caixa, pois o forídeo ao perceber a luminosidade, ou 
voa ou penetra as zonas escuras das caixas.

Forídeos por Marco Torres
A infestação por forídeos em Jataís é um pouco trabalhosa de se resolver devido ao seu tamanho.
Já salvei colméias infestadas por um processo muito demorado uma vez que troquei a colméia, 
retirando as abelhas e os favos foram colocados separados para evitar a recontaminação, 
são normais os forídeos depositarem ovos sobre os favos de cria o que poderia comprometer 
na sua colocação na nova colméia.
Agir da seguinte forma!
retire a rainha a mantenha em um frasco até o final do processo recolocando-a por último, 
capture o máximo que puderes de campeiras e abelhas novas com o aspirador de insetos, 
não reutilize o alimento sem colocar no congelador conforme instruções em voga, de preferência 
faça este processo á noite com uma lâmpada amarela, com um Dimmmer que controla a
 intensidade da luz (para que as abelhas não voem em direção da lâmpada),prepare a nova 
caixa, coloque um copo tipo cafezinho com algodão dentro da colméia com uma porção de 
alimento para no máximo 2 dias depois deve ser trocado, pegue alguns discos sadios de outra 
colônia e ponha nesta nova, coloque as campeiras e abelhas novas e recoloque a rainha sobre os favos.
Mantenha esta colméia fechada com um pedaço de pano com malha muito fina, suficiente para 
que não passem forídeos mas passe ar e a coloque em lugar fresco e escuro por 2 dias.
Quanto o que sobrou da colméia infestada, o alimento é colocado no congelador, normalmente 
na lixeira encontrará muitas larvas o sr Aidar colocar sal (NaCl) em cima acabando com as
 larvas, como vc já terá retirado todas ou quase todas as campeiras, vc pode colocar as 
armadilhas com o vinagre. O vinagre que mais deu certo em minhas experiências foi o de 
maçã, eu utilizo alguns extratos de plantas para atrair mas como o objetivo seria eliminar os 
forídeos de uma caixa que quase tudo foi transferido não creio que mereça tanto preparo a 
caixa infestada deve se manter no mesmo lugar que estava pois os forídeos tem uma boa 
orientação, similar a das abelhas, após vc capturar todos os forídeos adultos vc pode passar
 água fervendo dentro da colméia.
Quanto aos favos vc deverá colocar em uma caixa separada e observar a presença ou não de 
larvas, isto é importante pois decidirá o futuro de sua colméia, á medida que forem nascendo 
coloque-as na caixa junto com a rainha, faça isto a cada 2 dias, na noite do segundo dia abra 
a nova caixa que contém a rainha, troque o copo com o alimento e o algodão e introduza o 
alimento que estava no congelador,e observe a organização da colônia, vedação da colméia etc.
Estando a colméia livre dos forídeos e organizada coloque-a novamente no local em que 
estava a velha.
Não creio que solucionarás sem trocar de caixa e separando os favos, é trabalhoso mas 
tens nas mãos um desafio, preservar o que retirastes da natureza, todo o trabalho é válido 
por mais ardiloso que seja, será um trabalho ímpar uma vez resolvendo a infestação em
 jataí as outras espécies se tornam fáceis.
Marco Aurélio S Torres Porto Alegre R S.

Forídeos por Nelson Saraiva
Quanto aos forídeos, tenho combatido usando armadilha contendo vinagre e só. Neste 
combate desenvolvi minha técnica, que consiste em: Por volta das 13;00h, percebi que os 
forídeos concentram-se na tampa da caixa racional.
Com o auxílio de um saco de lixo transparente, cubro a tampa que já deve estar solta do
 batume, deíxo descer a borda do saco até próximo ao alvado (orifício de entrada) e num 
só movimento levanto a tampa juntamente com o saco e fechando a boca. Desta forma 
elimino em torno de 150 a 180 forídeos num curto espaço de tempo.
As Mosconas (Hermetia illuscens L.)
Observação: verifique também se não existe a presença de barata, *besourinho pequeno e 
redondo ou alguma larva de *MOSCONA dentro da caixa.
Vale dizer isso porque, certa feita, durante o nosso manejo numa das colméias do meliponário,
 foi notada uma água minando de dentro de uma caixa tipo Colméia Maria, o que levou a sua 
abertura. Uma vez aberta, notamos que, além da umidade em razão das abelhas estarem 
desidratando o néctar, haviam baratas e as tais larvas na região próxima aos potes de alimento. 
A barata, bem como a moscona (inseto que, quando adulto, tem a cor verde azulada, 
e o porte é grande), deve ter penetrado devido a uma má vedação da caixa com fita adesiva. 
A barata deve ter entrado pequena, crescido e, por isso, impedida de sair. Agora, quanto a 
larva, que foi gerada do ovo posto pela moscona, desenvolveu-se também em razão da 
umidade excessiva da madeira.
Enxugou-se e limpou-se tudo, removendo-se os detritos e todos os insetos estranhos. 
Depois de alguns dias foi notado que o problema tinha sido resolvido. Mas atenção! Isso 
só ocorre em colméias fracas.

  • A larva da Moscona (Hermetia illuscens L.) é uma inquilina geralmente inofensiva 
  • que alimenta-se dos detritos da colônia e desenvolve-se mais nos ambientes excessivamente 
  • úmidos. A larva mede 2 até 3 cm, é parda-escura, corpo achatado e com vários segmentos 
  • bem marcantes. Para evita-la, mantenha as caixas bem vedadas e com pouca umidade. 

  • O *besourinho também é

considerado inofensivo."
Apostila Curso Sobre Criação e Reprodução de Abelhas sem Ferrão do Meliponário Dendê, item XIII - 
Problemas que podem ocorrer no dia-a-dia do Meliponário. O site do meliponário é
Francisco Monteiro
Salvador-Bahia

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
Aidar, D.S. 1996. A Mandaçaia. Biologia de abelhas, manejo e multiplicação artificial 
de colônias de Melípona quadrifasciata Lep. (Hymenoptera, Apidae, Meliponinae). 
Séries Monografias 4, Sociedade Brasileira de Genética, 104p.
Aidar, D. S. 1999. Variabilidade genética em populações de Melípona quadrifasciata
 anthidioides Lepeletier e Tetragonisca angustula angustula Latreille (Hymenoptera, 
Apidae, Meliponinae). Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto-USP. 
Tese de Doutorado, 67p.
Aidar, D.S. 1999. Coleta de Ninhos de Jataí (Tetragonisca angustula). Fundação Acangaú,
 Paracatu, MG, 32p.
Nogueira-Neto, P. 1997. Vida e Criação de Abelhas Indígenas Sem Ferrão. Editora Nogueirapis, 
São Paulo, SP, 445p.
Kerr, W.E. 1996. Biologia e manejo da tiúba: A abelha do Maranhão. EDUFMA, São Luis, 
MA,156p.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mel de abelhas sem ferrão ganha tese de doutorado no Cena/USP

Pesquisador estudou o produto de 13 espécies nativas
André Araújo
 Foto: André Araújo com enxame de abelha jataí (Tetragonisca angustula) um dos objetos de estudo de sua pesquisa
Apesar de ser detentor da maior diversidade de abelhas sem ferrão de todo o planeta, a produção do mel brasileiro é baseada na espécie exótica Apis mellifera, também conhecida como abelha-europeia. Contudo, mesmo sendo um dos maiores produtores mundiais desse produto, a criação das espécies nativas ainda é pouco explorada no país.

Diante do pouco conhecimento disponível, embora desperte algum interesse gastronômico e da medicina natural, pesquisa do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP) estudou a composição do produto derivado de algumas espécies sem ferrão, comparando-o com o mel das tradicionais abelhas de listras amarelas.

“Os méis das abelhas nativas são muito diferentes das de Apis mellifera, o que o torna um nicho comercial ainda pouco explorado. Ainda mais porque sua produção apresenta grande potencial para agregar valor econômico sustentável aos ecossistemas brasileiros, sobretudo os florestais”, afirma André Luis Lima de Araújo, autor da tese de doutorado na área de concentração química na agricultura e ambiente.

Com o tema ‘Estudo da qualidade do mel de abelhas sem ferrão por análise por ativação neutrônica instrumental’, defendida em novembro, sob orientação da professora Elisabete De Nadai Fernandes, Araújo justifica a importância de sua pesquisa lembrando que 70% da produção dos alimentos do mundo dependem da transferência de pólen pelas abelhas. “Além desses dados mundialmente confirmados, estima-se ainda que as abelhas sem ferrão sejam responsáveis por até 90% da polinização das árvores nativas do Brasil”, informa.

Além do próprio mel, o estudo avaliou a composição química do pólen, principal fonte de minerais para a colmeia, e as próprias abelhas, num total de 13 espécies, que também foram coletadas para a correlação de seus respectivos méis. Para tanto, o pesquisador coletou amostras em cinco estados brasileiros (Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo), totalizando 77 colmeias.

As análises localizaram 10 elementos diferentes nos méis, outros 12 tipos nos polens e 14 nas abelhas. “Os resultados comprovaram a diferença na composição dos méis em função de local e espécies estudadas. Mas o dado mais positivo é que os elementos com importância toxicológica ficaram abaixo do valor máximo estabelecido pela legislação brasileira”, avaliou.

Outra importante diferença identificada nos teores avaliados diz respeito à umidade encontrada em cada tipo de mel, sendo que naquele proveniente da Apis mellifera, 80% é açúcar e 20% água. “A quantidade de água presente nos méis avaliados variou significativamente, sendo que apenas o mel de Apis mellifera apresentou umidade dentro do limite regulamentado, que é o de 20%. Já o nível da umidade presente nos méis de abelha sem ferrão variou entre 22 a 35%”.

A conclusão do trabalho demonstrou as diferenças existentes na composição química de cada um dos produtos analisados, suas características e ainda o efeito dos locais de origem nas suas constituições. “O estudo desses méis, combinado com o conhecimento do pólen e das próprias abelhas, nos permitiu um melhor entendimento sobre as contribuições desses produtos. Porém, ainda que exista uma legislação que regulamenta a criações de abelhas sem ferrão nas regiões onde são endêmicas, é necessário criar uma legislação específica para o mel dessas abelhas”, completou.

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Pesquisadores desenvolvem técnica para criação em massa de abelhas sem ferrão.

Método será testado em lavouras de morango – uma das 30 culturas agrícolas beneficiadas pela polinização por esse tipo de inseto (FFCLRP/USP)







Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Abelhas sem ferrão, como a jataí (Tetragonisca angustula) e 
a uruçu (Melipona scutellaris), são reconhecidas como importantes polinizadoras de
 diversas culturas agrícolas, como berinjela, morango, tomate e café.
Uma das principais limitações para utilizá-las para essa finalidade, no entanto, é a 
dificuldade em produzir colônias em quantidade suficiente para atender à demanda 
dos agricultores, uma vez que a maioria dessas espécies apresenta baixo número de rainhas.
Mas uma nova técnica que pode ajudar a superar essa limitação foi desenvolvida por um 
grupo de pesquisadores, que criou in vitro rainhas de uma dessas espécies de abelha: 
Scaptotrigona depilis, conhecida popularmente no Brasil como mandaguari.
O estudo foi feito por cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), 
em parceria com colegas da Faculdade de Filosofia, Ciências e 
Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP) e 
da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), campus de Mossoró (RN).
Resultado de um trabalho de doutorado, realizado com Bolsa da FAPESP, a 
técnica foi descrita na edição de setembro da revista Apidologie e será testada em 
campo nos próximos anos por meio de um projeto realizado com apoio do 
Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP.
“Conseguimos desenvolver uma metodologia de produção artificial de rainhas da 
espécieScaptotrigona depilis, que demonstrou ter uma aplicação fantástica para a 
criação em larga escala dessa espécie de abelha, a fim de atender à demanda dos 
produtores agrícolas”, disse Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Amazônia 
Oriental, em Belém (PA), e autor do estudo, àAgência FAPESP.
De acordo com o pesquisador, que realizou doutorado na FFCLRP sob orientação da 
professora Vera Lucia Imperatriz-Fonseca, a mandaguari está mais presente na região 
Sudeste do Brasil e pertence a um gênero de abelhas – o Scaptotrigona – que está 
sendo revisto e do qual, além dela, fazem parte mais oito espécies que ocorrem em todo o país e possuem ferrão atrofiado.
As colônias dessas espécies de abelhas são compostas, em média, por 10 mil operárias –
 cada uma com cerca de 5 milímetros – e são regidas por uma única rainha-mãe, com 
cerca de 1,5 centímetro e capacidade de pôr ovos.
A fim de aumentar o número de colônias de espécies desse gênero de abelha –
 que, além de polinizadora, também produz mel, pólen e própolis –, criadores 
brasileiros têm utilizado uma técnica pela qual se divide uma colônia ao meio
 para originar outra com uma nova rainha.
Mas só é possível utilizar o método para multiplicar as colônias da maioria das 
espécies de abelhas sem ferrão uma vez por ano, afirmou Menezes. “Com essa 
técnica, para produzir 50 mil colônias de jataí e polinizar cerca de 3,5 mil hectares 
de morango, seria preciso ter 50 mil abelhas rainhas”, estimou.
“O morango é uma das culturas agrícolas que dependem de polinização com menor
 área de cultivo no Brasil. Imagine quantas abelhas rainhas precisaríamos para 
polinizar lavouras de tomate, cuja área de plantação é bem maior”, comparou.
Nova técnica
Para aumentar a produção de rainhas e de colônias de mandaguari, 
Menezes desenvolveu durante seu doutorado, realizado entre 2006 e 2010, 
uma técnica pela qual fornece a larvas recém-nascidas da abelha uma 
quantidade seis vezes maior de alimento do que o inseto está acostumado a ingerir. 
Dessa forma, todas as abelhas fêmeas superalimentadas se tornam rainhas.
De acordo com Menezes, 97,9% das abelhas rainhas produzidas por esse método 
sobreviveram e foram capazes de pôr ovos e formar colônias in vitro. O tamanho 
delas pode ser igual ao de rainhas “naturais” se receberem quantidades de alimento 
larval suficiente, apontou.
“Otimizamos essa técnica de produção in vitro de abelhas rainhas, temos 
um protocolo muito bem definido e conseguimos produzir a quantidade de
 insetos que for necessário”, afirmou.
Atualmente, ele e os demais participantes do projeto de pesquisa aprimoram o
 sistema de alimentação artificial das larvas do inseto, em que usam dieta à 
base de soja em substituição ao alimento natural, para alimentar o número 
de colônias produzidas.
As abelhas são criadas em estufa, com temperatura controlada, e protegidas
 de inimigos naturais. “Com o avanço dessas novas técnicas de produção in vitro 
de rainhas de abelhas sem ferrão estamos testando a possibilidade de produzir dez
 colônias filhas a partir de uma mãe por ano. Com isso, daríamos origem a um 
método viável de produção de colônias”, disse Menezes.
Com o projeto apoiado pelo Programa PIPE, da FAPESP, os pesquisadores 
pretendem reunir essas técnicas em um sistema único de produção de colônias
 e testá-lo em campo. Em uma segunda fase, eles vão avaliar qual o efeito 
dos principais agrotóxicos utilizados hoje na cultura do morango sobre as abelhas.

Para isso, associaram-se à empresa produtora de agentes biológicos Promip, 
situada no município paulista de Engenheiro Coelho, onde foram construídas
 cinco estufas climatizadas para plantio de morango.
As abelhas serão introduzidas nessas estufas e expostas aos dez agrotóxicos 
mais utilizados para combater pragas que atacam a cultura do morango,
 com o intuito de avaliar qual o efeito de cada produto, individualmente, 
na sobrevivência das abelhas e na existência das colônias.
A partir dos resultados, os pesquisadores pretendem elaborar uma lista de
 recomendações para os agricultores sobre quais cuidados tomar ao utilizar
 um determinando agrotóxico, de modo que não mate as abelhas, ou indicar
 quais predadores naturais podem ser utilizados no lugar de agrotóxicos para
 eliminar pragas que atingem as lavouras de morango, como o ácaro rajado.
“Queremos ter ao final do projeto uma lista de recomendações para falar com 
embasamento e segurança ao agricultor que, se ele utilizar abelhas para a realização
 de polinização, não poderá utilizar determinados agrotóxicos”, disse Menezes.
Testes de eficácia
Os pesquisadores também avaliam o aumento na produtividade com a introdução
 de abelhas sem ferrão para a polinização em diversas culturas agrícolas.
No caso do morango, por exemplo, a medida aumentou entre 20% e 40% a 
produtividade agrícola – dependendo da variedade – e diminuiu em até 80% a 
má formação de frutos, afirmou Menezes.
Uma inflorescência – com diversas microflores juntas –, a flor do morango é 
visitada por diversos grupos de abelhas – incluindo as com ferrão e espécies
 “solitárias”. Quando várias abelhas voam e pousam sobre essa inflorescência, 
elas realizam a polinização dessas microflores e fazem com que o fruto seja
 bem formado, redondo e vistoso.
Já quando poucas abelhas visitam a flor do morango, elas realizam a polinização 
de apenas uma parte da inflorescência, fazendo com que os frutos fiquem deformados, 
segundo Menezes.
“No passado, esse tipo de má formação do morango era associado à trips – 
uma praga que ataca o fruto – e, por essa razão, os agricultores aplicavam
 mais pesticida para combatê-la e acabavam matando mais abelhas e
 prejudicando a produtividade da cultura agrícola”, contou.
Em princípio os testes em campo serão feitos com a mandaguari porque 
ela se mostrou mais resistente à multiplicação. E, inicialmente, as colônias 
de mandaguaris serão introduzidas em lavouras de morango porque é a
 cultura sobre a qual eles possuem maior conhecimento sobre o benefícios 
do uso de abelhas sem ferrão como polinizadoras.
A ideia, no entanto, é expandir a aplicação para outras culturas, as quais
 já se sabe que o processo de polinização por abelhas confere frutos maiores, 
com mais sementes e sabor e cor mais acentuados. “Há cerca de 30 culturas 
agrícolas que sabemos que podem ser beneficiadas pela polinização das 
abelhas sem ferrão”, estimou Menezes.
“Já estamos fazendo testes preliminares com algumas delas, como o tomate, 
em São Paulo, e com o açaí, em Belém do Pará, utilizando uma abelha sem
 ferrão do mesmo gênero da mandaguari, mas de uma espécie diferente e
 muito parecida com ela”, contou.
Para introduzir as abelhas nas lavouras da cultura selecionada, as colônias 
artificiais são mantidas confinadas, durante três a seis meses, até que a
 população seja composta por, no mínimo, 3 mil abelhas.
Com esse número, a colônia é levada à noite para a lavoura, com condições 
de temperatura amenas, e colocada sobre um cavalete para que os insetos
 sejam liberados para voar sobre a plantação e realizar a polinização.
Algumas das vantagens da utilização desse tipo de abelha para realizar a
 polinização, segundo Menezes, é que elas possuem raio de voo menor – 
de 900 metros, contra 2,5 quilômetros das abelhas com ferrão.
Por isso, têm maior chance de atingir a cultura-alvo para polinização. “Como
 o raio de voo das abelhas com ferrão é maior, se encontrarem outra planta
 florindo durante sua trajetória elas pousam nela, em vez de na cultura-alvo”, explicou.
“É mais difícil as abelhas sem ferrão se dispersarem durante o trajeto”, comparou.
O artigo An advance in the in vitro rearing of stingless bee queens
(doi: 10.1007/s13592-013-0197-6), de Menezes e outros, pode ser lido por assinantes
 da revista Apidologie emwww.apidologie.org/ ou em

domingo, 15 de dezembro de 2013

Multiplicação Mandacaia


DR.DAVI SAID AIDAR  -  Ensina como fazer a 

Multiplicação de Colmeias de Abelhas Mandaçaias. Segue Vídeo abaixo do globo rural:






POSTADO POR : JULIO

domingo, 1 de dezembro de 2013

Por que salvar as abelhas ?

Elas são responsáveis por um terço de tudo que comemos, 

mas estão sendo dizimadas em várias partes do mundo, 


inclusive no Brasil, abatidas por nuvens de agrotóxicos




Sergio Trevisan, apicultor da região de Araraquara, no interior de São Paulo, testemunhou a morte de todas as abelhas de suas 500 colmeias. Com elas, produzia 15 toneladas ao ano de mel e própolis. No apiário da família de Rodrigo Parisi, em Brotas (SP), foram 300 colmeias extintas praticamente de uma vez só. Essas duas histórias aparecem diluídas nos levantamentos de um grupo de estudos da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Eles apontam que cerca de 10 a 20 mil colmeias sumiram no Estado de São Paulo entre 2008 e 2010. No restante do Brasil, acredita-se que as perdas de colmeias sejam em torno de 20% ao ano.
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OPERÁRIA
O trabalho de polinização das abelhas rende anualmente uma
quantidade de alimentos avaliada em 153 milhões de euros
O problema não é apenas brasileiro. Depois de assistir ao sumiço de 31% de suas abelhas no último inverno, os Estados Unidos até batizaram o fenômeno: distúrbio do colapso das colônias. Tudo indica que a mortandade dessas abelhas esteja relacionada ao uso de pesticidas da categoria dos neonicotinoides, utilizados na agricultura. Em grandes áreas, a aplicação é realizada por aviões. A substância chega até as abelhas de duas formas: diretamente pelo ar, o que as mata instantaneamente, ou pela contaminação das flores, o que atinge o sistema nervoso delas e as desorienta, a ponto de morrerem sem encontrar o caminho de volta à colmeia.
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Para pôr um fim à matança, países da União Europeia determinaram a suspensão do uso desses pesticidas por dois anos, começando em julho próximo. No Brasil, o Ibama suspendeu, em meados de 2012, a pulverização aérea desses pesticidas enquanto um estudo sobre a relação entre morte das abelhas e neonicotinoides não fosse finalizado, o que deve ocorrer até o fim deste ano. “Até o momento, há indícios fortes do fenômeno. Já levantamos mais de 100 casos, do Piauí ao Rio Grande do Sul”, conta o coordenador geral de Avaliação de Uso de Substâncias Químicas do Ibama, Márcio Freitas. A pressão dos agricultores foi grande e o instituto recuou, restringindo o uso dos pesticidas apenas em épocas de floradas.
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EXPLÍCITO
Uma rede de supermercados nos EUA produziu um anúncio mostrando
que 52% dos itens expostos dependem da polinização feita por abelhas
Não é apenas a saúde financeira dos apicultores que sofre com a morte das abelhas. A ausência delas afeta todos os seres que se alimentam de vegetais. Esses insetos são os mais eficientes polinizadores da natureza. Com seu trabalho, respondem por um terço de tudo o que comemos. Para explicitar o tamanho do problema, um supermercado americano removeu de suas prateleiras todos os produtos que dependem da polinização das abelhas para serem cultivados. A imagem deixa claro que, ao salvarmos as abelhas, estamos trabalhando na preservação da nossa própria espécie.
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Fotos: Nathan Griffith/Corbis; Prnewsfoto/WholeFoods Market 
Revista Istoé - Independente  

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Dispositivo utiliza abelhas para detectar câncer e outras doenças



Um dispositivo criado por uma designer portuguesa utiliza a aguçada sensibilidade das abelhas para encontrar tumores e outras doenças graves no organismo humano. Por meio do novo aparelho, os insetos passam a dar complemento aos exames, identificando, ainda em fase inicial, as anormalidades na saúde das pessoas.
Desenvolvido pela designer Susana Soares, o dispositivo é composto por duas câmaras e conectado ao corpo do paciente submetido ao exame. Em um dos reservatórios, o cheiro exalado pelo organismo da pessoa é retido, e, no outro, ficam as abelhas prontas para entrar em ação: caso um odor desconhecido seja identificado, elas ficam perturbadas, voando em direções diferentes, o que explica a ocorrência das doenças.

As abelhas conseguem perceber as menores moléculas presentes no ar e são sensíveis às propriedades exaladas pelas glândulas apócrinas, que carregam as informações sobre a saúde do organismo. Segundo informou recentemente o site InHabitat, quando colocados no dispositivo, os polinizadores identificam todos os odores relacionados ao câncer de pulmão, câncer de pele e do pâncreas, assim como tuberculose.
O grande avanço sustentável para a descoberta de doenças foi apresentado na Dutch Design Week, um dos mais importantes eventos de design da Europa, realizado em Eindhoven, na Holanda. Ainda não há previsão de quando o equipamento passará a ser utilizado nos hospitais e laboratórios, mas, em algumas partes do mundo, as abelhas já vêm sendo incorporadas em biosensores, durante a execução de exames específicos.
Por Gabriel Felix – Redação CicloVivo

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Projeto de Lei.

`` Aprovado ´´.  Dispõe sobre a criação, 

o comércio e o transporte de abelhas sem-ferrão no 

Estado de SC, será sancionado em BN no sábado

Projeto de Lei, aprovado, que dispõe sobre a criação, o comércio e o transporte de abelhas sem-ferrão no Estado de SC, será sancionado em BN no sábado 
Braço do Norte/SC - 12/11/2013 - 18:11h

O governador em exercício de Santa Catarina, deputado Joares Ponticelli sancionará no próximo sábado (16), em Braço do Norte, o Projeto de Lei Nº 302/2013, aprovado pela Assembleia Legislativa na semana passada, que dispõe sobre a criação, o comércio e o transporte de abelhas sem-ferrão (meliponíneas) no Estado de Santa Catarina.
O Projeto de Lei foi criado a partir da iniciativa da Associação de Municípios da Região de Laguna – AMUREL, de escutar as reivindicações dos meliponicultores (produtores de mel de abelhas sem-ferrão) e, em razão disso, de promover um seminário regional, que ocorreu dia 4 de junho deste ano, em Tubarão. Deste seminário, que teve participação de especialistas no assunto de outros estados brasileiros, resultou uma minuta de projeto, que foi entregue aos deputados José Nei Ascari e Joares Ponticelli em 17 de julho. Ascari e Ponticelli assumiram então a autoria do projeto, que acabou aprovado pela Assembleia na semana passada. “No seminário em Tubarão eu empenhei minha palavra que faria todo o esforço possível para ajudar esses trabalhadores neste pleito que considero justo, afinal pela legislação vigente há itens em que o criadores de abelha sem-ferrão são tratados semelhante a alguém que está transgredindo a lei, e não como pessoas que, na prática contribuem com a preservação da espécie das meliponíneas e com o meio ambiente”, disse o governador em exercício.
Os meliponicultores encontram dificuldades por conta da Resolução 346, do Conama, que limita a atividade em escala comercial. As abelhas sem ferrão são nativas da América do Sul e, por isso, a norma faz uma série de exigências para a exploração do mel, entre elas, a presença de biólogos nas propriedades, o que inviabiliza a atividade economicamente. A Resolução também limitava em 50 o número de caixas de abelhas por produtor, o que inviabilizava a atividade econômica devido à baixa quantidade de mel produzido pelas espécies meliponíneas. "Estávamos sendo discriminados e reprimidos como se fôssemos degradadores, quando, na verdade, contribuímos para a preservação do meio ambiente", defende o produtor Jean Locatelli e um dos defensores da criação da lei estadual.
A nova lei atende basicamente ao anseio dos meliponicultores de ter uma normatização semelhante à da apicultura tradicional, que utiliza abelhas com ferrão.
A sanção da lei acontecerá a partir das 14 horas de sábado, 16, provavelmente no salão paroquial de Braço do Norte.


Por: Márcia Regina
Radio verde vale

Paraíba salva abelhas da seca com alimentação artificial


Jon Sullivan/Creative Commons
Abelhas efrentam dificuldade para encontrar alimento no período de seca (FotoJon Sullivan/Creative Commons)
xarope de água com açúcar é uma fonte de energia para as abelhas. Esta solução, juntamente com outras técnicas, está sendo utilizada para manter a apicultura na Paraíba,conforme informa a Agência Sebrae de Notícias. Essa e outras saídas para a produção de mel durante o período de estiagem são apresentadas durante o 3º Congresso Nordestino de Apicultura e Meliponicultura, que será realizado em Campina Grande (PB), de quarta (20/11) até sexta-feira (22/11). 

De acordo com o gestor do projeto de Desenvolvimento Setorial do Agronegócio do Sebrae na Paraíba, Fabrício Vitorino, outra experiência que tem gerado resultados positivos com os apicultores, principalmente os da Várzea de Sousa, é a verticalização de colmeias, uma novidade no Congresso deste ano. “É um manejo de alta produtividade que está sendo difundido na Paraíba. O método foi trazido de Cuba, há um ano, para o Sertão. Quem segue as orientações, está lucrando e não perde abelhas”, diz. 

A dificuldade durante a seca, para a abelha, é achar floradasalimentos dos mais puros para viver. “Conseguimossocorrer as abelhas utilizando alimentação artificial, que é constituída de uma parte de energia, como o xarope de água com açúcar, e de proteína, como o farelo de soja ou trigo”, ressalta Fabrício. Ele explica que os apicultores atendidos pelo Sebrae foram capacitados e são acompanhados por um consultor especialista em apicultura. 

Esse procedimento garantirá a manutenção dos enxames no período, preparando-os para o início da florada na estação seguinte. “Os apicultores que adotaram esses procedimentos tiveram uma perda bem menor do que aqueles que não adotaram. O Congresso ensina essas práticas, repassa informações construtivas. É um intercâmbio interessante para o apicultor”, reforça o gestor. 

Durante as 15 clínicas tecnológicas, o participante terá informações sobre como criar abelhas, o que fazer paramelhorar a criação e aumentar a produtividade. O Congresso abordará ainda questões mais técnicas, como gestão, estratégias, técnicas para melhoria da produtividade de abelhas com ferrão e sem ferrão, diversidade de produtos apícolas, entre outros. 

Os realizadores do evento são o governo do estado, Federação Paraibana dos Apicultores e Meliponicultores (FEPAM), Sebrae na Paraíba e União Nordestina de Apicultores e Meliponicultores (Unamel). Entre os apoiadores estão Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidade Federal da Paraíba (UFPB). 

Serviço: 
3º Congresso Nordestino de Apicultura e Meliponicultura 
Data: 20 a 22 de novembro 
Local: Centro de Convenções Raimundo Asfora, Garden Hotel, Campina Grande-PB 
Programação: http://www.coneamel.com.br/programacao/

Técnicas são apresentadas no 3º Congresso de Apicultura, em Campina Grande

por Globo Rural On-line

terça-feira, 19 de novembro de 2013



Agricultores investem na criação de 





abelhas como fonte de renda no Acre




Mais de 300 trabalhadores rurais estão criando abelhas sem ferrão.
Pesquisa científica da Ufac pode ajudar criadores de abelhas.

Francisco Lopes é o respnsável pelo programa de Meliponicultura (Foto: Francisco Rocha/G1)Fernando Freitas é um dos criadores de abelhas (Foto: Francisco Rocha/G1)

 programa de criação de abelhas sem ferrão, teve início em 2011, no Acre. Mas só agora os acreanos despertaram para a importância da preservação da espécie. No vale do Juruá, interior do estado, mais de 300 trabalhadores rurais estão investindo na criação de abelhas como uma nova fonte de renda.
O programa tem o incentivo do governo do estado, através da Secretaria de Pequenos Negócios (Sepn) que fornece cursos de capacitação nas comunidades rurais, sobre a forma correta de manejo da colmeia para evitar que as abelhas abandonem a nova moradia. Além das orientações de manejo, os criadores também recebem caixas padronizadas com sistema de ventilação e segurança que protege dos predadores.
Segundo Francisco Lopes Nogueira, responsável pelo programa de Meliponicultura em Cruzeiro do Sul (AC), a região do Juruá é um dos lugares mais propícios em todo o estado Acre para a criação de abelhas, devido a grande área de vegetação e a extensa biodiversidade. O que, segundo ele, favorece na diversidade de própolis e na qualidade do mel.
Nogueira explicou ainda que algumas amostras já foram analisadas em laboratórios no Acre, e o resultado aponta que o mel de abelha produzido no Vale do Juruá tem mais qualidade nutricional tanto para alimentação quanto para a medicina.
Os criadores recebem caixas padronizadas para participar do programa (Foto: Francisco Rocha/G1)Antonio da Silva Cruz participa do Programa de
Meliponicultura (Foto: Francisco Rocha/G1)
“Essa região tem uma biodiversidade muita rica, com variedades de plantas, o que faz com que o mel da abelha seja mais natural e rico em valor nutricional. As pessoas estão começando a dar valor às abelhas, porque descobrirm a importância dela, não só como fonte de renda, mas para a saúde humana e principalmente para o meio ambiente”, explica Nogueira.
O programa de incentivo à criação de abelha ocorre nos municípios de TarauacáMarechal ThaumaturgoPorto WalterRodrigues AlvesMâncio Lima e Cruzeiro do Sul. Segundo Nogueira, em todo o estado já foram identificadas mais de 300 espécies de abelhas sem ferrão, mas ainda não foram todas catalogadas.
Segundo o especialista, que também representa a Secretaria de Pequenos Negócios no Vale do Juruá, a ideia a partir de agora é organizar os meliponicultores para padronizar a embalagem desse produtor e ganhar mais valor de mercado. Atualmente, o litro de mel de abelha é vendido no Acre por um valor que varia de R$ 50 a R$ 100.
O produtor rural Antônio da Silva Cruz, de 53 anos, decidiu trabalhar com abelhas porque viu nelas uma nova fonte de renda e a importância que elas têm para a manutenção da natureza.
“Antes de ter esse conhecimento, eu só me importava com o mel. Hoje, quando encontro uma casa de abelha na floresta a minha preocupação é com elas, porque se aquela ninhada toda morrer é dinheiro perdido e com um tempo, tanto nós como o meio ambiente vai sofrer”, diz o agricultor.
Outro trabalhador rural que está se dedicando à criação de abelhas é João Fernando Freitas da Fonseca, de 23 anos, que reside na comunidade Santa Luzia, situada às margens da BR-364. Atualmente ele trabalha com oitos colmeias, mas já tem como meta chegar no final do ano de 2014 com 200 colmeias. O que segundo ele lhe renderia mais de 60 litros de mel por mês e uma renda mensal de aproximadamente R$ 7 mil.
“Trabalhar com abelha é muito gratificante, não é um trabalho pesado, exige pouca mão de obra, só precisa ter cuidado para preservá-la dos predadores e evitar muita movimentação próximo às colmeias para elas não irem embora”, diz Fonseca.
Pesquisa da Ufac pode ajudar criadores de abelha
Para melhorar a forma de manejo e aumentar a produção de mel, o pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), Rogério Oliveira Souza, que é doutor em Genética e Evolução, está desenvolvendo uma pesquisa em parceria com outros pesquisadores da Universidade de São paulo (USP) para identificar os grupos científicos das espécies de abelhas que estão sendo trabalhadas no Acre.
Atualmente as espécies são conhecidas pelo nome popular de Jandaira e Urruçú. A pesquisa vai identificar também quais são os tipos de plantas mais polinizadas por essas abelhas, o que pode facilitar o aumento da produção de mel.
Abelhas Acre (Foto: Francisco Rocha/G1)Abelhas Acre (Foto: Francisco Rocha/G1)
“A intenção é identificar os nomes científicos desses grupos e a forma de comportamento e adaptação delas, para facilitar o manejo dos ninhos e identificar os tipos de plantas que cada grupo mais se alimenta. Para se ter uma cadeia produtiva em grande escala, não basta só fazer o manejo da floresta para as caixas adaptadas. É preciso conhecer cada espécies na sua origem científica”, explica Souza.
Na opinião do pesquisador, o programa de criação de abelhas é extremamente importante para o Acre, porque cria uma nova alternativa de vida para quem mora na floresta. Segundo ele, as abelhas são as responsáveis pela manutenção da diversidade das plantas e pela produção dos frutos.
“Se não existir abelhas para fazer a polinização das plantas, a produção e a qualidade de frutos vai diminuir. As abelhas têm inúmeras utilidades de grande importância para a manutenção da floresta e do meio ambiente, além se ser uma fonte de renda para os criadores” explica.

Fonte -  G1 - Globo
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