terça-feira, 19 de novembro de 2013



Agricultores investem na criação de 





abelhas como fonte de renda no Acre




Mais de 300 trabalhadores rurais estão criando abelhas sem ferrão.
Pesquisa científica da Ufac pode ajudar criadores de abelhas.

Francisco Lopes é o respnsável pelo programa de Meliponicultura (Foto: Francisco Rocha/G1)Fernando Freitas é um dos criadores de abelhas (Foto: Francisco Rocha/G1)

 programa de criação de abelhas sem ferrão, teve início em 2011, no Acre. Mas só agora os acreanos despertaram para a importância da preservação da espécie. No vale do Juruá, interior do estado, mais de 300 trabalhadores rurais estão investindo na criação de abelhas como uma nova fonte de renda.
O programa tem o incentivo do governo do estado, através da Secretaria de Pequenos Negócios (Sepn) que fornece cursos de capacitação nas comunidades rurais, sobre a forma correta de manejo da colmeia para evitar que as abelhas abandonem a nova moradia. Além das orientações de manejo, os criadores também recebem caixas padronizadas com sistema de ventilação e segurança que protege dos predadores.
Segundo Francisco Lopes Nogueira, responsável pelo programa de Meliponicultura em Cruzeiro do Sul (AC), a região do Juruá é um dos lugares mais propícios em todo o estado Acre para a criação de abelhas, devido a grande área de vegetação e a extensa biodiversidade. O que, segundo ele, favorece na diversidade de própolis e na qualidade do mel.
Nogueira explicou ainda que algumas amostras já foram analisadas em laboratórios no Acre, e o resultado aponta que o mel de abelha produzido no Vale do Juruá tem mais qualidade nutricional tanto para alimentação quanto para a medicina.
Os criadores recebem caixas padronizadas para participar do programa (Foto: Francisco Rocha/G1)Antonio da Silva Cruz participa do Programa de
Meliponicultura (Foto: Francisco Rocha/G1)
“Essa região tem uma biodiversidade muita rica, com variedades de plantas, o que faz com que o mel da abelha seja mais natural e rico em valor nutricional. As pessoas estão começando a dar valor às abelhas, porque descobrirm a importância dela, não só como fonte de renda, mas para a saúde humana e principalmente para o meio ambiente”, explica Nogueira.
O programa de incentivo à criação de abelha ocorre nos municípios de TarauacáMarechal ThaumaturgoPorto WalterRodrigues AlvesMâncio Lima e Cruzeiro do Sul. Segundo Nogueira, em todo o estado já foram identificadas mais de 300 espécies de abelhas sem ferrão, mas ainda não foram todas catalogadas.
Segundo o especialista, que também representa a Secretaria de Pequenos Negócios no Vale do Juruá, a ideia a partir de agora é organizar os meliponicultores para padronizar a embalagem desse produtor e ganhar mais valor de mercado. Atualmente, o litro de mel de abelha é vendido no Acre por um valor que varia de R$ 50 a R$ 100.
O produtor rural Antônio da Silva Cruz, de 53 anos, decidiu trabalhar com abelhas porque viu nelas uma nova fonte de renda e a importância que elas têm para a manutenção da natureza.
“Antes de ter esse conhecimento, eu só me importava com o mel. Hoje, quando encontro uma casa de abelha na floresta a minha preocupação é com elas, porque se aquela ninhada toda morrer é dinheiro perdido e com um tempo, tanto nós como o meio ambiente vai sofrer”, diz o agricultor.
Outro trabalhador rural que está se dedicando à criação de abelhas é João Fernando Freitas da Fonseca, de 23 anos, que reside na comunidade Santa Luzia, situada às margens da BR-364. Atualmente ele trabalha com oitos colmeias, mas já tem como meta chegar no final do ano de 2014 com 200 colmeias. O que segundo ele lhe renderia mais de 60 litros de mel por mês e uma renda mensal de aproximadamente R$ 7 mil.
“Trabalhar com abelha é muito gratificante, não é um trabalho pesado, exige pouca mão de obra, só precisa ter cuidado para preservá-la dos predadores e evitar muita movimentação próximo às colmeias para elas não irem embora”, diz Fonseca.
Pesquisa da Ufac pode ajudar criadores de abelha
Para melhorar a forma de manejo e aumentar a produção de mel, o pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), Rogério Oliveira Souza, que é doutor em Genética e Evolução, está desenvolvendo uma pesquisa em parceria com outros pesquisadores da Universidade de São paulo (USP) para identificar os grupos científicos das espécies de abelhas que estão sendo trabalhadas no Acre.
Atualmente as espécies são conhecidas pelo nome popular de Jandaira e Urruçú. A pesquisa vai identificar também quais são os tipos de plantas mais polinizadas por essas abelhas, o que pode facilitar o aumento da produção de mel.
Abelhas Acre (Foto: Francisco Rocha/G1)Abelhas Acre (Foto: Francisco Rocha/G1)
“A intenção é identificar os nomes científicos desses grupos e a forma de comportamento e adaptação delas, para facilitar o manejo dos ninhos e identificar os tipos de plantas que cada grupo mais se alimenta. Para se ter uma cadeia produtiva em grande escala, não basta só fazer o manejo da floresta para as caixas adaptadas. É preciso conhecer cada espécies na sua origem científica”, explica Souza.
Na opinião do pesquisador, o programa de criação de abelhas é extremamente importante para o Acre, porque cria uma nova alternativa de vida para quem mora na floresta. Segundo ele, as abelhas são as responsáveis pela manutenção da diversidade das plantas e pela produção dos frutos.
“Se não existir abelhas para fazer a polinização das plantas, a produção e a qualidade de frutos vai diminuir. As abelhas têm inúmeras utilidades de grande importância para a manutenção da floresta e do meio ambiente, além se ser uma fonte de renda para os criadores” explica.

Fonte -  G1 - Globo
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